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Turismo religioso: 12 destinos para quem busca autoconhecimento e introspecção

Desenvolvimento espiritual, tranquilidade e momentos silenciosos são desejos crescentes e que podem ser alcançados também em experiências vividas em diversas cidades do mundo. Conheça algumas que são perfeitas para encontrar a solitude e se reconectar consigo e com a sua religião

Templo Mahabodhi, em Bodhgaya, na Índia
Templo Mahabodhi, em Bodhgaya, na Índia Foto: Getty Images

Daniela Caravaggi

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Fechar os olhos, respirar fundo e imaginar um lugar que emana paz mesmo em meio a tantas notícias tristes que recebemos nos últimos meses. Destinos assim, que instigam a introspecção, o autoconhecimento e a desaceleração da mente, são cada vez mais procurados por viajantes, ansiosos pela reabertura das fronteiras e para retomarem seus sonhados roteiros.

É verdade que as vacinas já aplicadas trazem esperança e vontade de almejar por tempos melhores, mas os desejos por momentos de tranquilidade, silêncio e (auto)reflexão cresceram entre os religiosos atuantes, simpatizantes ou até mesmo para aqueles que buscam apenas lugares acolhedores e que favoreçam a saúde mental.

De acordo com a Organização Mundial de Turismo, o turismo religioso acontece, em média, para cerca de 330 milhões de pessoas por ano, gerando um lucro de aproximadamente R$ 18 bilhões anuais, segundo estimativas pré-pandemia, é claro.

Como todos os setores, esse estilo de viagem também sofreu um forte abalo com a Covid-19. Israel, por exemplo, o destino mais procurado entre as agências especializadas ouvidas pela CNN Viagem&Gastronomia no Brasil, recebeu cerca de 5.800 pessoas em junho de 2020. Para efeito de comparação: no mesmo mês em 2019, o local abrigou 365 mil turistas. O resultado foi um prejuízo de US$ 1,16 bilhão para a indústria do turismo do país, segundo a Associação de Hotéis de Israel.

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A “Catedral Viagens”, uma das maiores agências do segmento no Brasil, localizada no interior de São Paulo, teve todos os seus grupos de viagens internacionais cancelados em 2020 e remanejados para 2022 – são 30, em média, por ano, com até 20 pessoas, em sua maioria entre 55 a 85 anos.

“Estamos há mais de 19 anos no mercado, e 2020 foi o primeiro ano em que nenhuma viagem pôde ser feita. Estamos com um cenário mais otimista agora, remarcando as viagens para fora e com roteiros religiosos concentrados aqui no Brasil, como Aparecida do Norte, várias cidades de Minas Gerais e também Salvador”, ressalta Liliane Gonçalves, coordenadora de vendas da agência.

Segundo o Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo, no Brasil, anualmente, são feitas 17,7 milhões de viagens domésticas com esse intuito: roteiros de fé. Esse tipo de turismo estava em ascensão nos últimos cinco anos no país até chegar a pandemia.

“Imagino que daqui para frente o perfil do viajante irá mudar. Há essa demanda reprimida, até porque muita gente se “espiritualizou” durante a pandemia. Agora, a tendência é que façam viagens com menos pessoas e, se possível, em contato com a natureza ou espiritualidade”, enfatiza Jussara Kauffmann, da Soul Traveler, operadora com base no Rio de Janeiro.

No Brasil ou pelo mundo afora, esses locais estão à espera daqueles que contam os dias para montar a sua mala de viagem e relaxar. Se não dá para ir agora, que tal sonhar (ou começar o seu planejamento para o futuro)?

Separamos 12 destinos pelo mundo para quem busca espiritualidade na sua próxima viagem:

Aparecida do Norte, no Brasil
Muito conhecida pelos brasileiros, a cidade está no meio do caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro (aproximadamente 250 km de cada). É por lá que está o Santuário Nacional de Aparecida, que atrai milhões de católicos, devotos de Nossa Senhora Aparecida.

É o maior santuário dedicado à Maria, mãe de Jesus Cristo pela crença católica. As aparições marianas aconteceram em diversos locais pelo mundo para diferentes pessoas, e uma delas foi justamente na região em que o Santuário foi construído, na cidade de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba.

Diz a história que, em 1717, pescadores foram incumbidos de pescar peixes para um importante banquete que seria oferecido para o Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais à época.

Sem sucesso após várias tentativas, tiraram das águas escuras do Rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora, que veio nas redes em dois pedaços: primeiro o corpo e, depois, rio abaixo, a cabeça. Em seguida, lançaram suas redes novamente e foram surpreendidos pela quantidade abundante de peixes.

Nasceu ali a devoção que se espalhou pela região e pelos católicos do Brasil e do mundo. O local se tornou ponto de peregrinação de fiéis, que andam quilômetros e quilômetros – de carro, a pé, de bicicleta ou até a cavalo – para visitar a imagem, exposta dentro do Santuário.

Em 12 de outubro é comemorado o dia de Nossa Senhora Aparecida, sendo assim o mês mais visitado pelos devotos que pagam suas promessas, vão fazer seus pedidos e agradecer. A estrutura enorme oferece lanchonete, restaurantes, loja de artigos religiosos e uma paz sem igual para aqueles que buscam espiritualidade. Na sala das promessas, é possível conhecer histórias de devotos do mundo todo, que contam em detalhes a graça alcançada pela sua devoção.

Curiosidade: três Papas já estiveram por lá – João Paulo II, no ano de 1980, Papa Bento XVI, em 2007, e Papa Francisco, em 2013. Vale a pena conhecer e se emocionar!

Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida
Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (Foto: Getty Images)

Cidades históricas de Minas Gerais, no Brasil
Ainda no Brasil, algumas cidades históricas de Minas Gerais ganharam notoriedade e viraram referência quando os assuntos são religião, arte e introspecção. As belíssimas igrejas, banhadas a ouro, carregam história, cultura e são ponto de parada para aqueles que buscam uma viagem cheia de conhecimento.

As ladeiras e paralelepípedos de Ouro Preto são inesquecíveis. A cidade foi a primeira integrante brasileira da lista da Unesco, em 1980, a receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, com valores materiais e imateriais. Palco da Inconfidência Mineira, principal movimento de contestação à metrópole Portuguesa, ponto central da corrida pelo ouro nos anos áureos da mineração no país, e um conjunto arquitetônico único.

Não tão longe dali e parada obrigatória para os fãs de Aleijadinho e arte barroca, o Santuário de Bom Jesus de Matosinho está localizado em Congonhas-MG. As escadarias com estátuas espalhadas dos doze profetas, feitas pelo artista em pedra sabão, levam à igreja, com interior estilo Rococó. Outras esculturas de Aleijadinho, que retratam cenas da Paixão de Cristo, estão espalhadas pelas seis capelas do local.

As cidades são turísticas e possuem uma estrutura ampla de hotéis e restaurantes, que farão sua viagem ser ainda mais especial.

Praça Tiradentes, Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, MG. ((Foto: Getty Images)

Salvador, na Bahia, Brasil
Falar em Bahia é muito mais do que lembrar de paisagens paradisíacas e carnaval. A fé que move seu povo é referência e se faz presente em um dos pontos turísticos mais emblemáticos de sua capital Salvador: a igreja do Senhor do Bonfim. O sincretismo religioso – fusão de doutrinas – é muito presente. No caso de Salvador, o Cristianismo se juntou a outras crenças, como o Candomblé.

Desde 1773, a segunda quinta-feira do ano se tornou símbolo desta união. A “Lavagem do Senhor do Bonfim” une os devotos do Senhor Bom Jesus do Bonfim e Oxalá, em uma das comemorações religiosas mais tradicionais do Brasil. Todos se reúnem para prestar homenagens e pagar suas promessas na caminhada em direção à igreja e assistem à lavagem das escadarias feita pelas tradicionais baianas. O trajeto leva ao portão cheio de fitinhas coloridas com pedidos de todas as partes do mundo. Aproximadamente 1 milhão de pessoas participam todos os anos desta data, que é marcada pela frase “Quem tem fé vai a pé”.

Outro motivo de peregrinação a Salvador é o Santuário de Santa Dulce dos Pobres. O local foi erguido graças a doações de seus devotos. A primeira santa brasileira, canonizada em 2019 com dois milagres reconhecidos pela igreja católica, sempre olhou aos mais necessitados e dedicou sua vida à caridade. De portas abertas para acolher e dar suporte espiritual a todos que necessitam, virou ponto para agradecimento de muitos católicos que por ali passam. Há um memorial com mais de 800  peças que ajudam a preservar e manter vivos os seus ideais.

Igreja do Senhor do Bonfim (Bruna Prado/Getty Images)

Machu Picchu, no Peru
Em meio às Cordilheiras dos Andes e a quase 2,5 mil metros de altura, está um dos maiores mistérios da humanidade. Machu Picchu, no Peru, é também conhecida como a “Cidade Perdida” e representa um dos destinos favoritos para quem visita a América do Sul e busca introspecção.

Apresentada ao mundo apenas no século XIX, a data de criação de Machu Picchu ainda é uma incógnita para os pesquisadores, mas o que se sabe é que os Incas construíram o local com o objetivo de estar ainda mais próximos de um ser divino em uma forma de adoração ao “Deus Sol” – e, por isso, a altitude elevada.

Construída em cima de milhares de pedras de granito branco, que se alinham perfeitamente com as montanhas que a cercam, a cidade se mantém em perfeito estado, fazendo os olhos dos turistas brilharem a cada observação.

Neste verdadeiro santuário, você pode usufruir de atrações incríveis e cheias de significado e espiritualidade – com uma beleza arquitetônica raramente vista. São quase 200 pontos turísticos com praças, monumentos, templos e natureza. Entre os pontos de interesse estão a Praça Sagrada, a Pirâmide Intihuatana e o Grupo das Três Portas. Na trilha inca, você encontra fauna e flora abundante com vistas únicas do topo do mundo.

Machu Picchu (Foto: Getty Images)

Terra Santa, em Israel, Jordânia e Cisjordânia
O destino religioso fora do Brasil mais procurado pelos brasileiros, segundo as agências ouvidas pela CNN Viagem&Gastronomia, é a Terra Santa, repleta de significados culturais, históricos, religiosos e espirituais para cristãos, judeus e muçulmanos.

Essa região é formada por partes de Israel, Jordânia e Cisjordânia em uma área que abriga grande parte das histórias que encontramos nos registros dessas crenças. Para cada uma, o local tem um significado especial.

Se você decidir viajar para lá, opções de turismo e guias não faltam, nem um vasto cardápio de excursões e experiências surpreendentes. Todos são bem-vindos, independentemente de religião. A judaica, entretanto, predomina.

Melina Sidi é brasileira, filha de pai israelense. Judia, visitou Israel por três vezes, sendo a primeira delas com sete anos. Leva na memória experiências inesquecíveis e sensação de pertencimento ao local, vendo de perto costumes que sempre guiaram o dia a dia de sua família. Sua última passagem por lá foi em 2019, em um programa chamado “Taglit”, subsidiado pelo governo de Israel junto com patrocinadores, que incentiva a ida de judeus de toda a parte do mundo para conhecerem o país.

“Em resumo, o Estado de Israel considera que todo judeu do mundo tem o direito de visitar o país uma vez na vida, com o menor custo possível. Neste programa, pagamos uma quantia simbólica para ficar 10 dias, com tudo incluso. Quem quiser pedir de volta esse dinheiro no fim da viagem, é devolvido”, conta. Mais informações podem ser encontradas na página oficial do Taglit Birthright Israel.

No Muro das Lamentações, um dos mais conhecidos pontos religiosos do mundo, Melina e outros milhões de fiéis pedem e agradecem todos os anos, em um momento de introspecção e emoção único.
Jerusalém concentra outros pontos turísticos como o Santo Sepulcro, local que os cristãos acreditam ser o túmulo de Jesus Cristo depois de crucificado. Além dele, vale muito a pena visitar o Monte das Oliveiras, os Jardins de Haifa e o Mercado Colorido de Tel Aviv. A visita ao Mar Morto também não pode ficar fora do roteiro.

Jerusalém, Israel (Foto: Getty Images)

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Monte Sinai, no Egito
Bem próximo a Israel, o Monte Sinai está na península sul do Sinai e reserva uma paisagem de tirar o fôlego. É na imensidão deste cenário que está uma das passagens mais famosas da Bíblia, o encontro de Deus com Moisés, que teria dado a origem dos Dez Mandamentos.

Todo ano, milhares de peregrinos visitam o Sinai com o objetivo de seguir os passos do profeta. Além disso, a região oferece o que a natureza tem de melhor com dias de sol e paisagens que vão desde os maiores recifes de corais do mundo até o deserto montanhoso que parece não ter fim.

Yohay AvrahamI é israelense e guia turístico da região. Aprendeu português em sua passagem pelo Brasil e é responsável pro levar diversos grupos de brasileiros ao local. Ele ressalta a emoção dos visitantes ao terem essa experiência única em busca da espiritualidade.

“Chegar lá e ler o texto bíblico com todo o cenário em volta é emocionante. Há 30 anos levo grupos para o Monte Sinai e há 30 anos me emociono. Só estando para saber o sentimento que todo o contexto proporciona. Há formas de chegar até lá: é possível viajar para o Cairo e de lá pegar um ônibus ou avião ou até mesmo ir por Telaviv”, conta. Os visitantes encontram atividades à disposição, tais como trilhas, acampamentos e excursões inesquecíveis.

Monte Sinai (Foto: Getty Images)

Bodhgaya, na Índia
Localizada no noroeste da Índia, Bodhgaya se tornou sinônimo de espiritualidade para muitas pessoas e representa um dos locais mais sagrados do Budismo. Isso porque foi onde Sidarta Gautama, conhecido como Buda, alcançou elevação espiritual e atingiu o Nirvana – que, segundo a religião, se refere ao estado de paz e tranquilidade alcançado através da sabedoria.

No século 5 a.C., Buda se sentou embaixo da “Árvore de Bodhi” e passou quase 50 dias meditando até alcançar a elevação. Hoje, a árvore original já não existe mais, mas em seu lugar foi plantada outra, originária de uma muda da figueira da época de Buda. Ela está localizada no templo Mahabodhi, classificado como o mais sagrado dos templos budistas.

Apesar de pequena, Bodhgaya atrai peregrinos de países do mundo todo. A cidade é repleta de monastérios e templos e é possível encontrar monges em todo canto. Lá, cada comunidade constrói o seu templo e convoca seus seguidores para estudar e meditar no local sagrado.

Além da meditação, a cidade indiana reserva excursões de todos os tipos – e até peregrinações mais amplas para quem estiver disposto a gastar um pouco mais na viagem – com muitas atividades ao ar livre em um ambiente sereno e marcado pela energia positiva que emana do local.

Templo Mahabodhi (Foto: Getty Images)

Monte Kailasn, na China
O Monte Kailash é destino de algumas das peregrinações mais famosas do mundo. Ele está na região do Tibete, na China, e é considerado um local sagrado para hindus, budistas e jainistas. Em uma altitude de mais de seis mil metros, o Monte nunca foi escalado por um humano e tem um significado diferente para cada tipo de público.

Para os hindus, o cume do Kailash é a casa de Shiva, um dos principais deuses do hinduísmo. Já os budistas acreditam que ele seja o centro do universo e um símbolo de felicidade, teoria compartilhada pelos jainistas. Todos os anos, milhares de peregrinos realizam ali a “Kora”, uma espécie de caminhada sagrada ao redor do monte, em torno de 52 km, em busca de boa sorte e perdão.

Uma viagem para o Monte Kailash é uma boa opção para quem busca uma jornada espiritual repleta de aventura e paisagens inesquecíveis. Os preços para chegar ao local são altos, mas a experiência, sem dúvida, vai se tornar uma memória que será compartilhada com diversas gerações de sua família.

Monte Kailash (Foto: Getty Images)

Templos Shikoku, no Japão
Uma viagem para a Ilha de Shikoku promete ser uma experiência para lá de espiritual em uma região rural do Japão marcada pela cultura e uma paisagem de tirar o fôlego. Estamos falando da mais famosa rota de peregrinação oriental que conta com 88 templos budistas.

Os mais de 1.000 km estão distribuídos entre praias, vilarejos, montanhas e muita história. Acredita-se que fazer o trajeto livra aqueles que acreditam de paixões terrenas e aproxima o viajante da salvação espiritual. A crença começou com o monge Kobo Daishi, que percorreu o caminho em busca da espiritualização. Conhecido pelo nome Kukai, ele se transformou no fundador do budismo esotérico japonês.

Em resumo, uma viagem para Shikoku representará uma experiência, acima de tudo, de autoconhecimento e reflexão. O maior atrativo do destino são os templos, repletos de cultura e imagens que ficarão marcadas na memória. A ordem de visitação nos templos é livre e de cada um deles é possível levar alguma lembrança da sua visita.

Neste caso, você pode fazer uma peregrinação completa e fazer todo o percurso (com o transporte que preferir) ou então se aprofundar em apenas alguns templos e nas suas respectivas histórias.

Ilha de Shikoku (Foto: Getty Images)

 

 

Santiago de Compostela, na Espanha
“Buen Camino”. Em português, “Bom caminho”. Essa é a saudação conhecida dos peregrinos que se aventuram pelas centenas de quilômetros que os levam até Santiago de Compostela, na Espanha.

Sim! Estamos falando de caminhos, no plural. Apesar de o mais falado e tradicional ser o Francês, que parte da cidade de Saint-Jean-Pied-de-Port e tem aproximadamente 800 km, não existe apenas um caminho ou um jeito de chegar ao destino final. Há diversos pontos de partida, na França, em Portugal e na própria Espanha. Em todos, basta você seguir as famosas – e muito bem sinalizadas – setas amarelas até a Catedral de Santiago. Mas a verdade é uma só: cada caminho é muito particular, e o seu começa no momento em que você sai da sua casa.

Um dos grandes símbolos da peregrinação até Santiago é a Vieira, a concha vista por todos os cantos, de todas as formas. Há diversas lendas em volta do porquê ela ter todo esse simbolismo. Um deles resume a diversidade de opções: as suas linhas representam os diferentes caminhos que pessoas do mundo todo podem fazer para chegar ao mesmo lugar.

Na prática, é necessário andar no mínimo 100 km (ou 200 pedalando) para conseguir o certificado que comprova que você fez a peregrinação. A “Credencial do Peregrino”, que nada mais é do que um caderninho que vai sendo carimbado a cada estabelecimento ou albergue em que você se hospeda durante o trajeto, é a sua prova. Mas essa prova é apenas material. As experiências vividas durante os 100, 200 ou 800 km, a pé, de bicicleta ou a cavalo são o que você vai levar para o resto da vida.

Leia mais sobre o Caminho e suas histórias clicando na matéria especial que a CNN Viagem & Gastronomia fez sobre o trajeto. 

 

Caminho de Santiago de Compostela (Foto: Getty Images)

 

Fátima, em Portugal
Voltando às aparições marianas espalhadas pelo mundo, a cidade de Fátima, a aproximadamente 130 km de Lisboa, em Portugal, foi o palco de outra delas. Nossa Senhora teria aparecido algumas vezes para três crianças da região, Lúcia de Jesus, de 10 anos; Francisco, de 9: e Jacinta de 7, conhecidos como “Os Três Pastorinhos de Fátima”.

Fátima, em Portugal (Foto: Getty Images)

A primeira delas em 13 de maio de 1917, pedindo orações e sacrifícios sob forte luz. Posteriormente, na aparição do dia 13 de outubro daquele ano, Nossa Senhora do Rosário se apresentou às crianças e pediu que fosse construída em sua honra uma capela. A construção foi erguida em 1919 no suposto local das aparições e desde então reúne devotos do mundo inteiro.

A estrutura se expandiu e hoje a região, conhecida pela calmaria, também desperta em quem visita um sentimento de paz sem igual. Há lojas de artigos religiosos e gostosos restaurantes em volta do Santuário. Quem está hospedado em Lisboa consegue tranquilamente fazer um bate-volta de carro ou de ônibus. São saídas praticamente de hora em hora, e a rodoviária está localizada bem próxima ao santuário.

Vaticano, na Itália
A Itália é um dos países com mais rotas religiosas, principalmente quando se fala em igreja católica. São diversas cidades, com vários pontos visitados pelos fiéis.

Residência oficial do Papa, maior líder do catolicismo, o Vaticano reúne turistas do mundo inteiro, que encontram muitas riquezas em formato de construções e história. É um Estado-Cidade que nasceu com o Tratado de Latrão, estipulado entre a Santa Sé e a Itália em 11 de fevereiro de 1929 e ratificado em 7 de junho de 1929. O Estado hoje tem, portanto, a característica singular de ser um instrumento de independência da Santa Sé e da Igreja Católica de qualquer poder constituído neste mundo.

A famosa Praça São Pedro abriga um dos maiores edifícios religiosos do mundo: a Basílica de São Pedro, que começou a ser construído em 1506, com estrutura renascentista e barroca. Ela pode receber até 60 mil pessoas durante suas missas em tempos normais. Sua importância ultrapassa a barreira histórica e religiosa e vai também para a cultural. Decorada por obras primas de diversos artistas famosos, Michelangelo ganha destaque, sendo responsável pela decoração da enorme e famosa cúpula da construção. O museu do Vaticano e a Capela Sistina são outros pontos imperdíveis.

O Vaticano tem boa base e estrutura para receber turistas do mundo inteiro, que vão na esperança de receber de perto a benção do Papa e sentir a energia única do local.

Vaticano (Foto: Getty Images)

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