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S.W.: o secreto bar atrás de uma instagramável loja de doces em São Paulo

Com investimento de R$ 9 milhões, o mais novo speakeasy de São Paulo abre as portas nos Jardins após dez meses de obras e já é um dos destinos secretos mais concorridos da cidade

S.W., bar secreto onde é proibido tirar fotos e só entra com convite dos selecionados guardiões da chave
S.W., bar secreto onde é proibido tirar fotos e só entra com convite dos selecionados guardiões da chave Rodolfo Regini

Tina Binido Viagem & Gastronomia

São Paulo

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A moda dos bares secretos não é de hoje. Os chamados speakeasies surgiram no período da Lei Seca, entre 1920 e 1933, nos Estados Unidos, quando a venda de bebidas alcoólicas foi proibida e tal ato era crime federal.

Os donos de bares e restaurantes, inconformados, criaram locais secretos, que ficavam atrás de fachadas de lojas, farmácias, em porões ou nos fundos de residências e que, para conseguir entrar, era preciso muita “fala mansa” –  tradução literal de “speakeasy” – para conquistar a confiança dos donos e descobrir a senha de entrada.

A comanda do bar, que tem ticket médio acima de R$ 500, é em formato de chave / Foto: Tina Bini

A Lei Seca não existe mais, mas a moda dos bares secretos se manteve e, em São Paulo, está mais forte do que nunca – confira aqui matéria com 3 bares secretos na capital paulista. E foi pensando nessa onda que os sócios David Politanski e Luís Oliveira investiram em um grandioso projeto de R$ 9 milhões no Jardins.

A chamativa fachada, no final de uma rua sem saída e pertinho de um premiado e tradicional restaurante da cidade, é colorida e atrai de crianças a adultos com suas balas e barras de chocolates importados. Ali está uma “inofensiva” loja de doces, que de fato funciona durante o dia, mas é de noite que a mágica acontece.

Para os desavisados, o burburinho de pessoas produzidas com roupas de balada na porta não faz sentido, mas basta um olhar mais atento para a hostess – essa vestida no melhor estilo “A Fantástica Fábrica de Chocolate” – para perceber que ali convidados, ansiosos, dão seus nomes para terem permissão para entrar. A quantidade de pessoas que entram no pequeno espaço e como num passe de mágica desaparecem e é possível perceber que ali tem algo muito além.

Se você for um dos sortudos que conseguiu ter o nome na disputada lista, tarefa nada fácil – uma vez que os sócios escolheram alguns “guardiões da chave” e esses podem levar quem quiserem, desde que o guardião esteja junto – prepare-se.

Na hora combinada via WhatsApp com o estabelecimento, uma porta mágica se abrirá e um cavalo (desses de carrossel de parque de diversões) te levará para um ambiente que nada lembra a recepção colorida.

Com projeto do arquiteto Hebert Holdefer, um enorme pé direito em um espaço de dois andares, pintado de cores sóbrias e elementos que lembram o Castelo de Harry Potter, o S.W. tem capacidade para até 180 pessoas sentadas e surpreende até mesmo os mais entendidos e conhecedores do assunto.

Ao (literalmente) descer do cavalo, um adesivo é colado na câmera do celular. Fotos são expressamente proibidas, o que já tornou o local ponto certeiro de famosos que querem uma noite sem cliques.

Cada detalhe foi pensado e elaborado exclusivamente para o estabelecimento. No quesito bar, comandado pelo bartender Caíque Soares, os copos são diferentões, trazidos do Peru, país de origem do Aron Diaz, responsável pela carta de drinque da casa e mixologista do badalado Carnaval, em Lima, que figura na lista dos melhores bares do mundo pela The 50 Best Bars. Entre os blends dos coquetéis, você não encontrará em nenhum outro lugar do mundo, e até os gelos são produzidos ali, aos olhos do público, em uma Ice Room.

A gastronomia também não é a típica de bares, esqueça as coxinhas e a batata frita. Quem assina o menu é o estrelado Luiz Filipe Souza, do Evvai, e que levou para seu dom de montar apresentações surpreendentes onde, assim como o S.W., nem tudo é o que parece.

Entre os itens imperdíveis está o Gnocchi de mandioquinha em fonduta de queijo mandala e tartufo nero cobertos por pangrattato e cogumelos (R$ 98) e o Pulpo Fictions, croquetas de polvo cozido lentamente e alho-poró empanados em farinha Panko e alho negro servidos com maionese de páprica defumada (R$ 88).

Quer mais surpresas? Os atendentes simpáticos lá do início do texto, vestidos com “um que” de Willy Wonka, são cantores. Sim, tem shows de jazz, blues e músicas que vão de Shakira a Amy Winehouse com um time impecável e animado.

É claro que tudo isso tem um custo. E ele não é barato! O ticket médio da casa é acima dos R$ 500.

O endereço? Segredo, é claro.


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