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    Miami cultural: a cena artística e os sabores escondidos nesta fascinante cidade

    A cidade norte-americana pulsa arte nos mais diferentes bairros e ainda nos convida a experimentar uma variedade surpreendente de cozinhas. Vamos juntos?

    Daniela Filomenodo Viagem & Gastronomia

    Miami, Estados Unidos

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    Múltipla e diversa, artística e gastronômica. Além destas características, Miami é urbana e ao mesmo tempo litorânea, com arranha-céus imponentes em seu centro que criam um balanço delicioso com o sol quente nas areias de frente para o mar azul-turquesa – cor que chega a impressionar os olhos.

    Digo sem titubear que a cidade na Flórida é uma das minhas favoritas no mundo. Os sabores acentuados dos melhores restaurantes dos Estados Unidos junto de sua cena cultural que pulsa por bairros icônicos fazem com que eu me sinta em casa.

    Entretanto, mesmo conhecendo tão bem Miami, gravar o CNN Viagem & Gastronomia na cidade norte-americana foi uma missão, no mínimo, desafiadora. O motivo? Justamente pela sua multiplicidade de experiências e cantinhos especiais.

    Entre praias, novos restaurantes, museus imperdíveis e bairros que valem a pena ser conhecidos a fundo, a decisão foi a de fazer uma curadoria que conseguisse mostrar para vocês, leitores e telespectadores, esta interessante mistura que corre por aqui.

    Surpreendente pela sua sofisticação no campo das artes, da gastronomia e da cultura, Miami é repleta de regiões que entregam experiências diversas mas que possuem um traço em comum: de serem fascinantes.

    Na ponta da praia, em South Pointe, no centro financeiro, em Brickell, ou ainda onde a street art brinca com nossos sentidos, em Wynwood, Miami é apaixonante e sedutora.

    Preparados para uma Miami diferente? Então me acompanhe por um passeio por algumas novidades e tradições nesta cidade que me encantou de primeira – e segue me encantando.

    South Pointe: passeio no píer e pôr do sol

    No extremo sul de Miami Beach fica o South Pointe Park, parque ideal para admirar paisagens ao ar livre ao longo de seu calçadão, passar tardes tranquilas em cima de uma bike ou caminhar ou realizar piqueniques junto das crianças.

    Recheado de áreas verdes, o parque possui palmeiras que fazem sombra e completam o bonito cenário com vistas panorâmicas para o horizonte de Downtown, Fisher Island e os navios de cruzeiro. O parque também dá acesso à praia de South Beach – onde trechos de areia são menos movimentados.

    E é no ponto mais ao sul de Miami Beach, numa continuação do parque, que fica um delicioso píer de 140 metros de comprimento para lá de fotogênico – e que nos passa uma tranquilidade sem igual. É o South Pointe Park Pier, onde vemos várias varas de pesca debruçadas sobre as cores oscilantes do Atlântico.

    É um passeio superagradável e que amo fazer na cidade: caminhar até a ponta do píer, contemplar o mar e vislumbrar um pedaço de areia da praia. Durante a manhã ou à tarde, gosto de vir aqui e ouvir o vai e vem das ondas – que ficam ainda mais poéticas durante o imperdível pôr do sol.

    Mas, claro, o relaxante passeio sempre fica melhor junto de uma paradinha para comer e bebericar. Na região, costumo ir no Smith & Wollensky, restaurante com um ótimo menu de carnes que fica bem de frente para o canal – mas que serve também deliciosos camarões, lagosta e salmão.

    Minha dica é pegar uma mesa externa de frente para as águas e se refrescar com um dos drinques da casa e clássicos a partir de US$ 17. No parque ou no restaurante, a atmosfera daqui é uma delícia.

    Brickell: entre os grandes prédios do centro financeiro

    Além do cenário já conhecido de lindas praias, areias brancas e palmeiras, Miami também se destaca pelo seu lado mais urbano: falo da região de Downtown e Brickell, coração financeiro que impõe no skyline da cidade seus arranha-céus de arquitetura moderna e tecnológica.

    A paisagem aqui reflete o sol de Miami com suas grandes vidraças, região também onde observamos uma vida dinâmica com vários restaurantes, centros de compras e opções de entretenimento. Recentemente, na última década, Brickell passou por uma transformação e, apesar de ser um local que sedia vários escritórios e grandes empresas, continua um bairro descolado que adoro.

    É aqui que fica um dos hotéis mais bacanas de toda Miami, o supermoderno e tecnológico East, que faz parte do Brickell City Centre, projeto comercial e de uso misto com centro de compras, restaurantes e edifícios comerciais e residenciais.

    Aqui fica um dos elevadores mais interessantes de Miami, com efeitos de luz que brincam com nossos sentidos – por si só uma atração! – e os quartos possuem vistas privilegiadas para a cidade e para a Baía de Biscayne – há até apartamentos prontos para serem moradias.

    Mas é no rooftop do hotel que temos um gostinho de uma das partes mais legais da cidade. Além de toda a vista de tirar o fôlego, claro, o terraço é lar do Sugar, badalado bar e lounge no 40º andar. O ambiente é como um oásis em meio aos grandes prédios por estar repleto de vegetação e plantas, que se complementam com os móveis de traços modernos de madeira.

    O ideal é vir tomar bons drinques e ter uma happy hour divertida, com toques de elegância e sofisticação. É como um jardim secreto com sabores deliciosos. Quando a noite cai, o lugar ganha contornos ainda mais sedutores com as incríveis vistas – mas atenção: após as 18 horas apenas maiores de 21 anos podem frequentar o local.

    Para pratos mais encorpados, prove o Quinto la Huella, restaurante de influências uruguaias do hotel, no quinto andar, como provam a empanada salteña (US$ 11), com carne cortada à mão, azeitonas, ovos cozidos e salsa criolla, assim como uma suculenta linguiça (US$ 16) para compartilhar, e ainda, como sobremesa, um “vulcão” de doce de leite (US$ 10), que explode e deixa escorrer o recheio.

    Wynwood: o agito da arte de rua

    South Pointe tem praia e calmaria, Brickell tem o centro e a modernidade. Já Miami Design District traz grifes e obras de arte a céu aberto e Little Havana carrega em si a rica cultura cubana pela Calle Ocho.

    Mas e Wynwood? Um dos bairros mais badalados de Miami nos presenteia com uma pulsante vida artística que, literalmente, brota em seus muros, dando uma sobrevida à região que era predominantemente industrial no passado.

    É um interessante caso de reapropriação dos moradores e dos artistas da cidade de um local que chegou a ficar abandonado por um bom tempo. Em resumo, o bairro passou por diferentes épocas: na década de 1970 era uma região de manufatura de tecidos e tinha várias lojinhas de confecção, além de armazéns. Quando os EUA começaram a importar os tecidos, a área foi abandonada, o que chamou a atenção de artistas locais.

    Aqui o grafite, que dá vida a obras de arte que impressionam qualquer um, está absolutamente por todas as partes: nos muros e nos grandes paredões dos edifícios. Dica: procure a obra “A Love Supreme (Wynwood Saints)” e surpreenda-se. Em Wynwood, todos os espaços são uma oportunidade para a arte transbordar.

    Não deixe de usar os vários QR Codes, que estão ao lado de alguns muros e nos postes. Quando apontamos o celular, eles nos levam para uma página com informações sobre a obra e sobre o artista.

    E o Brasil não fica de fora dessa: muros grafitados pelos artistas Kobra e OsGemeos também são destaques por aqui. Em resumo, grafites a céu aberto, galerias e restaurantes são o que pipocam pelo bairro. Mas talvez uma das maiores referências daqui seja o Wynwood Walls, museu ao ar livre que revitalizou a região e trouxe artistas do mundo todo para trabalhar com a arte de rua. Atualmente é cobrada uma taxa para entrar no local e se deparar com as muitas obras de arte – as entradas variam de US$ 5 a US$ 12.

    Outra maneira de explorar o bairro é por meio do Miami’s Best Graffiti Guide, uma plataforma em que podemos agendar tours explicativos pelo bairro com artistas. Diferentes tipos de passeios são oferecidos – desde individuais, com grupos e até um em que podemos fazer nosso próprio grafite. Também é possível fazer o download do app da empresa e realizar um passeio próprio com ajuda do smartphone.

    Fundada pelo artista Pedro Amos, o objetivo é divulgar a voz e os trabalhos dos artistas locais e fornecer uma experiência de turismo inspiradora, envolvente e educacional. Me encontrei com Pedro em minha visita recente a Wynwood e mais do que ver as obras ao ar livre, é importante entendermos, como ele mesmo me disse, que a arte de rua hoje tem um impacto muito importante e forte na comunidade ao redor. E é exatamente isso que vemos por aqui.

    Museus e outros centros artísticos

    Foi-se a época que Miami era resumida às praias e aos atraentes centros de compras, como os grandes shoppings e outlets. Esses atributos continuam existindo, claro, mas dividem sua agenda com importantíssimas instituições artísticas – as quais transformam a cidade num destino ideal para os amantes das artes.

    Ouso dizer até que Miami e arte respiram juntos, uma retroalimenta a outra. Além dos centros culturais nos bairros acima e também em Design District, outros museus merecem estar no roteiro.

    São dicas que podem servir como oportunidades de entrarmos em contato com novas e diferentes perspectivas. Algo que aprendi: mesmo que eu não compreenda a obra, acabo vendo ela da minha própria maneira. Ela nos emociona e faz com que reajamos de maneiras distintas – e é aqui que mora sua beleza.

    Superblue Miami

    É o caso do Superblue, novíssimo museu interativo localizado no bairro de Allapattah, ao lado de Wynwood. A marca é na verdade uma empresa de arte imersiva que apoia e trabalha com artistas que lidam com obras de imersão em larga escala, com mostras em Miami e, atualmente, também em Londres.

    É uma novidade fresca e muito bem-vinda na cidade, pois se distingue de outras instituições mais tradicionais ao propor uma revolução no mundo da arte baseada por interações e projeções incríveis. O resultado? Experiências imersivas e interativas de arrepiar.

    Mas a emoção não para por aí: o bacana é que o Superblue nos apresenta uma mostra interativa em que nossos gestos e passos mudam a obra de arte. É como uma conversa, uma resposta por meio de nossos passos e gestos, ou seja, ela depende de nós para mudar e se moldar. Os artistas preparam o lugar, montam o ambiente e o trabalho só fica completo com a nossa interação. É uma grata surpresa: quanto mais pessoas no ambiente, mais a obra muda.

    Uma dessas obras em exibição é a “Mirror Maze” (algo como “Labirinto de Espelhos”), da artista Es Devlin, que cria peças onde acabamos sendo participantes delas e que misturam luz, música e linguagem digital para nos provocar uma resposta emocional.

    Uma vez no labirinto, ficamos totalmente imersos na obra, e andamos por ela, escolhendo se vamos para a esquerda ou para a direita, por exemplo. Ou seja, ela nos faz refletir sobre as consequências de nossas escolhas.

    É surpreendentemente interessante, além do museu como um todo ser um ótimo local para introduzir as crianças no mundo das artes, já que as obras tangem uma linguagem universal. Há ingressos a partir de US$ 36 (adultos).

    Pérez Art Museum Miami

    Situado no centro de Miami, na região de Downtown, o Pérez Art Museum, abreviado como PAMM, é um prestigiado museu de arte moderna e contemporânea e, para mim, um dos mais bonitos do mundo.

    Fica em uma posição privilegiada, com vistas que compreendem o mar e uma ponte e tem como background todo um cenário contrastante com a modernidade do centro de Miami. Ou seja, é um conjunto de obras, de design arquitetônico e de paisagens que o torna único.

    Apesar de ter obras modernas e contemporâneas, o foco reside mais na segunda vertente, com viés ainda mais voltado à arte latina e do Caribe. Várias são as exposições temporárias anuais, assim como seu acervo fixo é especial. É definitivamente um passeio delicioso e agradável, munido de muita arte e novos conhecimentos. O museu abre de quinta-feira a domingo e os ingressos custam US$ 16 para adultos.

    Espasso

    Além dos museus e centros de arte, Miami também é muito conhecida no meio por ser a casa de muitas galerias e showrooms. E uma delas chama a atenção: a Espasso, galeria com showroom só de designers brasileiros. Móveis de Jorge Zalszupin, Lina Bo Bardi e de Sérgio Rodrigues, por exemplo, podem ser vistos – e negociados – de perto.

    Uma das pessoas que comanda o local é a artista plástica Heloísa Maia, que me guiou pelo espaço. Amantes confessos de móveis e objetos autorais têm seu destino certo em Miami: aqui há peças originais das décadas de 1950, 60 e 70, com preciosidades e artefatos vintage de fazer brilhar os olhos.

    Um espaço deste com consagrados designers brasileiros impressiona em Miami. Então, a pergunta que não quer calar: o americano aprendeu a apreciar o design brasileiro? Para Heloísa, a resposta é positiva, já que o local recebe muitos arquitetos americanos com seus clientes de alto escalão.

    Paradas gastronômicas fora do óbvio

    Restaurantes novos pipocam em Miami. Outras casas mais tradicionais fazem bonito para compor a cena gastronômica da cidade, muito eclética e cheia dos melhores restaurantes dos Estados Unidos. Daria para fazer uma lista apenas com os melhores asiáticos, japoneses, chineses e de tantas outras cozinhas.

    Mas além das novidades já badaladas da cidade e também dos destaques de outros bairros, como Little Havana e Design District, apresento uma seleção de casas que considero as melhores em Miami e que gravei para o programa CNN Viagem & Gastronomia. É uma verdadeira viagem por diferentes sabores que reflete a diversidade da cidade.

    Sapore di Mare

    É o meu italiano favorito e escondido em Miami. Os frutos do mar são a especialidade do Sapore di Mare, como o próprio nome sugere, mas um dos meus pratos prediletos é um macarrão com queijo e trufas de comer rezando. E já deixo avisado: para sentar em uma mesa é preciso reservar.

    Pequeno e delicioso, ele fica mais ao sul de Miami, em Coconut Grove. O cardápio é de se perder: para começar, há uma burrata com anchovas (US$ 19) e um carpaccio de polvo incrível (US$ 20). Também aposte na lula frita crocante (US$ 21), bem mediterrânea, ou na flor de abobrinha recheada de muçarela (US$ 22).

    Carpaccio de branzino (US$ 24), burrata com prosciutto recheada de figo (US$ 20) completam o time de pratos para compartilhar à mesa junto de um bom vinho. Ficou com vontade? É uma delícia atrás da outra.

    Onde? 3111 Grand Avenue, Coconut Grove, Miami, FL 33133, Estados Unidos

    Novikov Miami

    É um restaurante de influências chinesas e japonesas que possui uma comida deliciosa e imperdível. O Novikov fica no centro, em Downtown.

    Sofisticado, o restaurante serve um pato laqueado saborosíssimo (a partir de US$ 64). Vem com uma panquequinha para montarmos nosso próprio prato e adicionarmos os condimentos e acompanhamentos. Bao buns, dim sum, rolinhos crisp e sashimis e nigiris completam o extenso menu, com uma delícia da gastronomia asiática atrás da outra.

    O interessante é que uma seleção de ingredientes frescos e sazonais ficam dispostos à escolha do cliente, quase como um mercado de frutos do mar e de vegetais.

    Onde? 300 S Biscayne Blvd, Miami, FL 33131, Estados Unidos

    Zak the Baker

    Passeando por Wynwood? Uma boa parada para se abastecer de pães e gostosuras como cream cheese com salmão, sanduíches, bagels e outros itens é a Zak the Baker, que se destaca pela loja colorida numa das esquinas do bairro com a palavra “bakery”, ou seja, padaria, em letras garrafais.

    O local carrega a fama de ser uma das melhores padarias de Miami, o que significa que é bem concorrido – filas e mesas lotadas tanto dentro como nas mesas externas é algo corriqueiro.

    Croissants, cookies, cinnamon rolls, pão de azeitona com zattar (meu favorito), sanduíches e também assados ​​judaicos tradicionais, como bureka e babka, são itens que brilham nossos olhos – e saciam nosso estômago. Inclusive, fornadas diárias dos pães da casa abastecem os mais refinados hotéis, restaurantes e cafés de Miami.

    Onde? 295 NW 26th St, Miami, FL 33127, Estados Unidos

    Kush by Lokal

    Burger tradicional do Kush com batatas fritas de acompanhamento; local tem um dos melhores burgers da cidade / Daniela Filomeno

    Também em Wynwood, uma janelinha e duas mesas compartilhadas na rua nos enganam: dentro do Kush é feito um dos melhores hambúrgueres dos EUA. Feitos à mão e moídos frescos, os hambúrgueres são suculentos e podem ser pedidos no lanche clássico (US$ 17), com queijo cheddar, alface, tomate, cebola, picles, maionese e mostarda; ou ainda na versão com pastrami (US$ 18).

    O Kush é uma parada apetitosa, muito mais se acompanhada das batatas fritas (US$ 6), guacamole (US$ 15) ou ainda da porção de jacaré frito da Flórida (US$ 16).

    Onde? 2003 N Miami Ave, Miami, FL 33127, Estados Unidos

    Piononos

    Considero a Piononos uma das melhores confeitarias da vida. Situada numa galeria comercial em Key Biscayne, a pouco tempo de carro do centro de Miami, é comandada pela chef peruana María Luisa Benavides.

    Das mãos da profissional saem uma pavlova de dar água na boca só de olhar. É quase impossível mensurar quantas elas faz por mês, mas o trabalho beira a casa das milhares de pavlovas – doce que é assinatura da casa, feito com merengue de nozes com recheio de doce de leite, chantilly e morangos.

    Vale a passadinha por lá e, de quebra, conhecer a região. Caso tenha tempo, pedidos on-line também podem ser feitos.

    Onde? 328 Crandon Blvd, Suite 217, Key Biscayne, FL 33149


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